O laudo do seu ultrassom trouxe a palavra "mioma", acompanhada de números em centímetros, siglas como "FIGO 4" e termos como "intramural" ou "subseroso"? Essa é uma das situações mais comuns no consultório de ginecologia, e também uma das que mais geram dúvidas: o mioma é perigoso, vai crescer, precisa de cirurgia, dá para engravidar?
Neste artigo, a Dra. Ana Clara Campos, especialista em ultrassonografia em Itu/SP, explica como o ultrassom encontra o mioma uterino, como ele é medido e classificado, o que cada informação do laudo significa e por que o acompanhamento por imagem é tão importante ao longo do tempo.
Resumo rápido: o ultrassom transvaginal é o exame de primeira escolha para diagnosticar o mioma uterino. Ele mostra quantos miomas existem, onde cada um está (classificação FIGO, de 0 a 8), o tamanho em três dimensões e, com o Doppler, como é a vascularização. Repetido ao longo do tempo, permite comparar as medidas e identificar crescimento ou mudanças de aspecto. A conduta, em qualquer caso, é definida pelo ginecologista.
O que é mioma uterino?
O mioma uterino, também chamado de leiomioma ou fibroma, é um tumor benigno formado por células do músculo liso do útero (o miométrio). Ele cresce como um nódulo firme e bem delimitado, que pode estar voltado para dentro da cavidade uterina, no meio da parede muscular ou na superfície externa do útero.
É o tumor pélvico mais frequente na mulher. Estudos populacionais estimam que a maioria das mulheres desenvolve pelo menos um mioma até os 50 anos, e grande parte delas nunca apresenta sintomas. Os miomas são sensíveis aos hormônios femininos, especialmente ao estrogênio e à progesterona, e por isso são mais comuns durante a idade reprodutiva e tendem a diminuir após a menopausa.
Entre os fatores associados a maior chance de ter miomas estão a idade entre 30 e 50 anos, o histórico familiar, a primeira menstruação precoce, não ter tido filhos, a obesidade e a ascendência negra.
Quais sintomas levam a investigar um mioma?
Muitos miomas são descobertos por acaso, em um ultrassom de rotina. Quando há sintomas, eles dependem principalmente da localização e do tamanho do nódulo. Os mais comuns são:
Sangramento menstrual aumentado (em volume ou duração), às vezes com coágulos, que pode levar à anemia
Sangramento fora do período menstrual
Sensação de peso ou pressão na pelve e aumento do volume abdominal
Vontade frequente de urinar, quando o mioma comprime a bexiga
Intestino preso, quando o mioma pressiona o reto
Cólica e dor pélvica, inclusive durante a relação sexual
Dificuldade para engravidar, principalmente em miomas que deformam a cavidade uterina
Esses sintomas não são exclusivos do mioma e se sobrepõem aos de outras condições ginecológicas. É o exame de imagem que permite confirmar a presença do nódulo e descrever suas características.
Como o ultrassom identifica um mioma
O ultrassom identifica o mioma como um nódulo sólido, arredondado e de contornos bem definidos, que se destaca do restante da parede do útero. Por ser um exame em tempo real, sem radiação e amplamente disponível, é o método de imagem de primeira linha para essa investigação.
Como o mioma aparece na imagem
Durante o exame, a especialista procura um conjunto de características que sustentam o diagnóstico:
Nódulo bem delimitado, com formato redondo ou ovalado
Ecogenicidade variável: na maioria das vezes o mioma é hipoecoico (mais escuro que o miométrio ao redor), mas pode ser heterogêneo
Sombras acústicas nas bordas e no interior do nódulo, causadas pela estrutura fibrosa do mioma
Vascularização predominantemente periférica ao Doppler, contornando o nódulo
Deformidade do contorno do útero ou da cavidade, quando o mioma é maior ou está próximo da superfície
Essa descrição segue a terminologia padronizada internacionalmente para a avaliação do miométrio por ultrassom (o consenso MUSA), o que torna o laudo mais objetivo e comparável entre exames.
Transvaginal, pélvico abdominal ou Doppler: qual exame é usado?
Na maioria dos casos, o ultrassom transvaginal é o ponto de partida, porque o transdutor fica mais próximo do útero e mostra detalhes que a via abdominal não alcança. As modalidades, porém, se complementam:
ExamePrincipal contribuição no miomaQuando é mais útilUltrassom transvaginalAlta resolução para localizar, contar e medir os miomas e avaliar a relação com o endométrioInvestigação inicial e acompanhamento na maioria das pacientesUltrassom pélvico por via abdominalVisão panorâmica do útero e de miomas muito volumososÚtero muito aumentado, miomas altos ou pacientes que não podem fazer a via transvaginalUltrassom transvaginal com DopplerMostra o padrão de vascularização do nóduloDiferenciação de outras lesões, avaliação de degeneração e apoio ao planejamento do tratamento
Para entender melhor as diferenças de preparo e de técnica entre as vias, veja o artigo O que é o ultrassom pélvico e quando fazê-lo.
Onde o mioma está: a classificação FIGO
Mais do que o tamanho, a localização do mioma costuma ser a informação que mais influencia os sintomas e as decisões do ginecologista. Por isso, os laudos especializados utilizam a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), que numera os miomas de 0 a 8 conforme a relação com a cavidade uterina e com a superfície externa do útero.
Tipo FIGOGrupoLocalização0SubmucosoPediculado, totalmente dentro da cavidade uterina1SubmucosoNa cavidade, com menos da metade do nódulo dentro da parede2SubmucosoNa cavidade, com metade ou mais do nódulo dentro da parede3IntramuralTotalmente na parede, mas encostado no endométrio4IntramuralTotalmente na parede, sem tocar o endométrio nem a superfície externa5SubserosoProjeta-se para fora do útero, com metade ou mais dentro da parede6SubserosoProjeta-se para fora do útero, com menos da metade dentro da parede7SubserosoPediculado, preso à superfície externa do útero por um pedículo8OutrosLocalizações especiais, como o colo do útero2-5HíbridoAtravessa a parede, tocando tanto a cavidade quanto a superfície externa
Por que a localização pode importar mais que o tamanho
Um mioma submucoso pequeno, que deforma a cavidade uterina, pode causar sangramento intenso e interferir na implantação do embrião. Já um mioma subseroso de vários centímetros, voltado para fora do útero, pode passar anos sem provocar nenhum sintoma. Por isso, a pergunta "o meu mioma é grande?" só faz sentido quando analisada junto com o tipo FIGO e com as queixas da paciente.
A classificação FIGO também orienta o tipo de abordagem que o ginecologista pode considerar. Miomas dos tipos 0, 1 e 2, por exemplo, costumam ser avaliados para tratamento por via histeroscópica, enquanto miomas intramurais e subserosos seguem outros caminhos. Essa decisão é sempre do médico assistente.
Como o ultrassom mede o mioma
A medida de um mioma no ultrassom é feita em três dimensões perpendiculares entre si. A partir desses três valores, é possível calcular o volume aproximado do nódulo, o que torna a comparação entre exames muito mais precisa do que observar apenas o maior diâmetro.
Os três diâmetros e o volume
No laudo, cada mioma relevante costuma aparecer com três medidas, por exemplo "3,2 x 2,8 x 2,5 cm", correspondentes aos diâmetros longitudinal, anteroposterior e transversal. O volume é estimado pela fórmula do elipsoide (multiplicação dos três diâmetros por 0,523) e é expresso em centímetros cúbicos. O volume total do útero também é registrado, já que ele reflete o impacto do conjunto de miomas sobre o órgão.
As margens livres
Em avaliações especializadas, a especialista também pode medir a distância entre o mioma e o endométrio (margem livre interna) e entre o mioma e a superfície externa do útero (margem livre externa). Esses dados ajudam o ginecologista e o cirurgião a planejar procedimentos com mais segurança, especialmente quando existe desejo de preservar o útero.
Quando há vários miomas
É comum encontrar mais de um nódulo. Nesses casos, o laudo costuma detalhar individualmente os maiores miomas e os de maior relevância clínica, como os que tocam ou deformam a cavidade uterina, e descrever os demais de forma agrupada. Um mapeamento organizado, com a posição de cada mioma (parede anterior, posterior, fundo, lateral), facilita muito o acompanhamento nos exames seguintes.
Pequenas diferenças entre exames são esperadas
Variações discretas de alguns milímetros entre um exame e outro podem refletir diferenças de ângulo, de equipamento ou de técnica, e não necessariamente crescimento real. Por isso, sempre que possível, o ideal é repetir o acompanhamento com o mesmo método e, de preferência, com o mesmo serviço, levando os laudos anteriores para comparação.
Como o ultrassom acompanha o mioma ao longo do tempo
O comportamento dos miomas é bastante variável: muitos permanecem estáveis por anos, alguns crescem e outros diminuem, sobretudo após a menopausa. O acompanhamento por ultrassom existe justamente para documentar essa evolução de forma objetiva e oferecer ao ginecologista dados confiáveis para decidir entre observar, tratar ou mudar a estratégia.
A periodicidade dos exames é definida pelo médico assistente, considerando os sintomas, o tamanho, a localização, a idade, o desejo de gestação e eventuais tratamentos em curso. Em miomas pequenos e sem sintomas, o intervalo tende a ser maior; em miomas em crescimento ou sob tratamento, as reavaliações costumam ser mais próximas.
O que é comparado no seguimentoPor que é importanteNúmero de miomasMostra se surgiram novos nódulos desde o último exameDiâmetros e volume de cada miomaPermite identificar crescimento, estabilidade ou reduçãoTipo FIGOIndica se o mioma passou a se aproximar ou a deformar a cavidade uterinaVolume uterino totalReflete o impacto global dos miomas sobre o úteroAspecto interno (ecotextura)Ajuda a identificar degeneração, calcificação ou áreas císticasVascularização ao DopplerContribui para avaliar resposta a tratamentos e mudanças de comportamento
Mudanças de aspecto: a degeneração do mioma
Com o tempo, principalmente em miomas maiores, parte do tecido pode perder irrigação e sofrer degeneração. Ao ultrassom, isso aparece como áreas mais heterogêneas, regiões com líquido (degeneração cística) ou pontos muito brilhantes com sombra acústica, que correspondem a calcificações, mais comuns após a menopausa. Na gestação, pode ocorrer um tipo específico de degeneração que costuma causar dor localizada. Na grande maioria dos casos, a degeneração é um processo benigno, mas precisa ser descrita no laudo para que o médico interprete o quadro clínico.
Sinais que merecem avaliação mais cuidadosa
Alguns achados não significam doença maligna, mas justificam atenção redobrada e discussão imediata com o ginecologista:
Crescimento rápido entre exames, especialmente após a menopausa, quando o esperado é a redução
Nódulo com contornos irregulares ou mal definidos
Áreas internas muito heterogêneas, sem o padrão típico do mioma
Vascularização central abundante e desorganizada ao Doppler
Sangramento após a menopausa, que sempre deve ser investigado
Os sarcomas uterinos são tumores raros e, em geral, não se originam da transformação de um mioma comum. Ainda assim, quando o ultrassom mostra características fora do padrão, o ginecologista pode solicitar exames complementares, como a ressonância magnética, para ampliar a investigação.
Mioma, fertilidade e gravidez
Nem todo mioma interfere na fertilidade. Os que mais preocupam são os submucosos (FIGO 0, 1 e 2) e os intramurais que deformam a cavidade uterina, porque podem dificultar a implantação do embrião. Miomas subserosos, em geral, têm pouco ou nenhum impacto. Para quem está tentando engravidar, conhecer a localização exata de cada mioma é uma das informações mais valiosas da avaliação inicial, como explicado no artigo Tentando engravidar? Como o ultrassom pode ajudar.
Durante a gestação, a maioria das mulheres com mioma tem uma gravidez sem intercorrências. Alguns miomas podem crescer no primeiro trimestre por influência hormonal, e o obstetra pode incluir a avaliação dos nódulos nos ultrassons do pré-natal, observando tamanho, posição em relação à placenta e ao colo do útero e eventuais sinais de degeneração. Para entender como os exames se distribuem ao longo da gestação, veja Quantos ultrassons fazer na gravidez? O calendário completo do pré-natal.
Mioma ou adenomiose: como o ultrassom separa as duas condições?
Mioma e adenomiose aumentam o útero e causam sintomas parecidos, mas são condições diferentes. O mioma forma um nódulo bem delimitado, enquanto a adenomiose se espalha de forma difusa pela parede uterina, sem contorno definido. As duas também podem coexistir na mesma paciente, o que torna a avaliação detalhada ainda mais importante. A comparação completa entre mioma, adenomiose e endometriose está no artigo Adenomiose: o que é e como o ultrassom diferencia de endometriose e mioma.
O papel do ultrassom nas decisões de tratamento
O tratamento do mioma é definido pelo ginecologista e pode variar desde o acompanhamento sem intervenção, em miomas sem sintomas, até medicamentos para controle do sangramento, retirada por histeroscopia, miomectomia (retirada apenas dos miomas, preservando o útero), embolização das artérias uterinas ou histerectomia em casos selecionados.
Em todas essas situações, o ultrassom fornece a base de informações para a escolha: quantos miomas existem, onde estão, qual o tamanho e o volume, como é a vascularização e qual a distância até a cavidade e a superfície do útero. Depois do tratamento, os exames de controle ajudam a documentar a resposta e a identificar precocemente qualquer recidiva.
Como se preparar para o ultrassom de mioma
O preparo é simples e depende da via do exame:
Via transvaginal: não exige jejum nem preparo especial. Basta esvaziar a bexiga antes do exame.
Via abdominal: geralmente é pedido que a paciente chegue com a bexiga cheia, o que melhora a visualização do útero.
Laudos anteriores: leve todos os exames que já fez, com as medidas dos miomas. Isso permite uma comparação precisa da evolução.
Informações clínicas: comunique tratamentos em uso, cirurgias prévias e a data da última menstruação.
Na clínica da Dra. Ana Clara Campos, em Itu/SP, o exame é realizado pela própria especialista, com equipamento de alta resolução, e o laudo descreve de forma organizada cada mioma relevante, com localização, classificação e medidas, para que o ginecologista tenha todas as informações necessárias.
Perguntas frequentes sobre mioma uterino e ultrassom
O ultrassom transvaginal consegue detectar miomas pequenos?
Sim. Por estar mais próximo do útero, o ultrassom transvaginal tem alta sensibilidade para identificar miomas de poucos milímetros, inclusive os que estão próximos à cavidade uterina. Miomas muito volumosos ou localizados na parte alta do abdome podem exigir a complementação pela via abdominal.
Qual tamanho de mioma é considerado grande?
Não existe um tamanho único que defina um mioma como grande. O impacto depende principalmente da localização: um mioma submucoso de 2 centímetros pode causar sangramento intenso, enquanto um mioma subseroso bem maior pode não causar sintomas. O ginecologista avalia o tamanho em conjunto com o tipo FIGO, os sintomas e o desejo de gestação.
Mioma pode virar câncer?
O mioma é um tumor benigno e, em geral, não se transforma em câncer. Os sarcomas uterinos são raros e costumam surgir como lesões distintas. Crescimento rápido, principalmente após a menopausa, ou características atípicas no ultrassom devem ser avaliados pelo ginecologista, que pode solicitar exames complementares.
De quanto em quanto tempo devo repetir o ultrassom se tenho mioma?
A periodicidade é definida pelo ginecologista, de acordo com os sintomas, o tamanho, a localização dos miomas e os tratamentos em curso. Miomas pequenos e estáveis costumam ser acompanhados com intervalos maiores, enquanto miomas em crescimento ou sob tratamento exigem reavaliações mais próximas.
O mioma pode diminuir sozinho?
Sim. Como os miomas dependem dos hormônios femininos, é comum que diminuam de tamanho após a menopausa. Alguns também podem reduzir com tratamentos hormonais indicados pelo ginecologista. O ultrassom seriado é a forma de documentar essa redução.
Preciso fazer ressonância magnética além do ultrassom?
Na maioria dos casos, o ultrassom é suficiente para diagnóstico e acompanhamento. A ressonância pode ser solicitada pelo ginecologista em situações específicas, como útero muito aumentado, grande número de miomas, planejamento cirúrgico complexo ou achados atípicos no ultrassom.
Em qual fase do ciclo menstrual devo fazer o ultrassom para avaliar mioma?
Os miomas podem ser avaliados em qualquer fase do ciclo. Quando o médico também quer analisar o endométrio com mais precisão, pode preferir que o exame seja feito logo após a menstruação. Em caso de dúvida, siga a orientação do ginecologista que solicitou o exame.
Recebeu o diagnóstico de mioma ou precisa acompanhar a evolução dos seus miomas? Agende sua avaliação por ultrassonografia ginecológica com a Dra. Ana Clara Campos em Itu/SP. Fale pelo WhatsApp: (11) 91235-4747.

