O ultrassom pélvico é um dos exames mais solicitados na ginecologia — e também um dos mais desconhecidos pelas pacientes. Muitas mulheres chegam ao consultório sem saber exatamente por que o exame foi pedido, qual a diferença entre a versão transvaginal e a abdominal, e o que esperar do procedimento.
Neste artigo, a Dra. Ana Clara Campos explica o que é o ultrassom pélvico, quais estruturas ele avalia, quando ele é indicado, como se preparar e o que ele consegue — e o que ele não consegue — detectar.
O que é o ultrassom pélvico?
O ultrassom pélvico é um exame de imagem que utiliza ondas sonoras de alta frequência para visualizar os órgãos localizados na pelve feminina: o útero, os ovários, as trompas uterinas, o colo do útero e as estruturas adjacentes, como a bexiga e o fundo de saco posterior.
Ao contrário da radiografia ou da tomografia, o ultrassom não emite radiação ionizante, o que o torna seguro para uso em qualquer fase da vida da mulher, incluindo a gestação.
O exame é realizado por uma médica especialista em ultrassonografia, que interpreta as imagens em tempo real e elabora um laudo detalhado para o médico solicitante.
Transvaginal ou abdominal: qual a diferença?
O ultrassom pélvico pode ser realizado por duas vias, e a escolha depende da indicação clínica, das características da paciente e do que o médico precisa avaliar.
Característica Transvaginal Abdominal Posição da sonda Introduzida na vagina Desliza sobre o abdômen Qualidade da imagem Alta resolução, imagens mais nítidas Visão mais ampla, menor detalhe Preparo Bexiga vazia Bexiga cheia Melhor para Útero, ovários, endométrio, colo Visão geral da pelve, útero muito aumentado Indicação preferencial Maioria das pacientes sexualmente ativas Virgens, crianças, pacientes com restrição vaginal
Na prática clínica, o transvaginal é o padrão para a maioria das avaliações ginecológicas, pois a proximidade da sonda com os órgãos-alvo gera imagens muito mais detalhadas. Os dois métodos podem ser combinados no mesmo exame quando o médico precisa de informações complementares.
O que o ultrassom pélvico avalia?
Durante o exame, a especialista avalia cada estrutura de forma sistemática:
Útero
São verificados o tamanho, o formato, a posição (anteverso, retroverso) e a textura do miométrio (parede muscular). Nessa etapa é possível identificar miomas uterinos, alterações da parede e malformações congênitas como o útero bicorno ou o septo uterino.
Endométrio
A espessura e o padrão ecográfico do endométrio variam ao longo do ciclo menstrual e são indicadores importantes da saúde hormonal. Uma camada endometrial espessa fora do padrão habitual pode indicar hiperplasia ou, em casos mais avançados, carcinoma de endométrio.
Ovários
São avaliados o volume de cada ovário, a presença de cistos (funcionais ou patológicos) e o padrão folicular. Ovários com muitos folículos pequenos podem indicar síndrome dos ovários policísticos (SOP). Cistos complexos ou com septos podem requerer investigação adicional.
Colo do útero
O comprimento e a morfologia do colo são avaliados, especialmente durante a gestação, para rastreio de risco de parto prematuro. Cistos de Naboth, espessamentos e outras alterações também são identificados.
Fundo de saco posterior
A presença de líquido livre nessa região pode indicar sangramento intraperitoneal, ovulação recente ou processos inflamatórios. A avaliação dessa área é essencial na investigação de dor pélvica aguda.
Quando o ultrassom pélvico é indicado?
O exame tem um espectro amplo de indicações. As mais comuns incluem:
Dor pélvica crônica ou aguda — investigar causa estrutural da dor (cistos, miomas, inflamação)
Cólicas menstruais intensas (dismenorreia) — avaliar miomas submucosos, adenomiose ou sinais de endometriose
Sangramento uterino anormal — espessamento endometrial, pólipos, miomas submucosos
Suspeita de cisto ovariano — caracterizar o cisto e definir se é funcional ou patológico
Investigação de infertilidade — avaliar reserva ovariana, morfologia uterina, permeabilidade das trompas (com técnica complementar)
Acompanhamento de gestação inicial — confirmar implantação intrauterina, batimentos cardíacos fetais e datação
Rastreio de rotina ginecológica — parte do check-up anual recomendado para mulheres em qualquer faixa etária
Controle de miomas ou cistos já conhecidos — monitorar crescimento e resposta ao tratamento
O ultrassom pélvico detecta endometriose?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes. A resposta é: depende do tipo e da extensão da doença.
O ultrassom pélvico transvaginal consegue identificar com boa precisão os endometriomas ovarianos — cistos formados por tecido endometrial nos ovários, com aspecto característico de "vidro fosco" ao exame. Também é possível detectar implantes profundos em regiões como o reto-sigmóide e a bexiga com técnicas especializadas.
Por outro lado, lesões superficiais do peritônio — frequentes na endometriose — geralmente não são visíveis ao ultrassom. Por isso, um exame sem achados não exclui o diagnóstico. A investigação pode incluir ressonância magnética pélvica ou laparoscopia, dependendo da suspeita clínica.
Para entender melhor como a endometriose se manifesta e por que o diagnóstico frequentemente demora, leia o artigo: O que é endometriose e por que o diagnóstico demora tanto.
Ultrassom pélvico na investigação de fertilidade
Na avaliação de casais com dificuldade para engravidar, o ultrassom pélvico é uma das primeiras ferramentas utilizadas. Ele permite:
Avaliar a morfologia uterina (formato, presença de septos ou malformações)
Realizar a contagem de folículos antrais, que reflete a reserva ovariana da mulher
Identificar cistos, miomas ou pólipos que possam interferir na implantação
Avaliar o padrão e a espessura do endométrio no período periovulatório
Quando a investigação avança para o acompanhamento do ciclo, o passo seguinte costuma ser o monitoramento folicular seriado, que acompanha o desenvolvimento dos folículos e identifica com precisão o momento da ovulação — o método mais confiável para determinar o período fértil.
Ultrassom pélvico na gestação
No início da gravidez, o ultrassom pélvico transvaginal é o exame de referência para confirmar a implantação intrauterina, visualizar o saco gestacional e os batimentos cardíacos fetais, e realizar a datação precisa da gestação.
À medida que a gestação avança, outros ultrassons assumem papéis específicos. O morfológico do 1º trimestre, realizado entre 11 e 13 semanas e 6 dias, avalia a translucência nucal e as estruturas fetais precoces. Já o morfológico do 2º trimestre, entre 20 e 24 semanas, oferece uma avaliação detalhada da anatomia fetal.
Como é o preparo para o ultrassom pélvico?
O preparo varia conforme a via utilizada:
Transvaginal: não é necessário preparo especial. Recomenda-se esvaziar a bexiga antes do exame para maior conforto e melhor visualização.
Abdominal: a orientação clássica é ingerir cerca de 1 litro de água 1 hora antes e não urinar, pois a bexiga cheia serve como janela acústica para melhor visualização do útero e dos ovários.
Em nenhuma das modalidades é necessário jejum. Roupas confortáveis e fáceis de remover facilitam o exame.
Perguntas frequentes sobre ultrassom pélvico
Qual a diferença entre ultrassom pélvico transvaginal e abdominal?
O transvaginal é feito com uma sonda inserida na vagina e oferece imagens de alta resolução dos órgãos pélvicos. O abdominal é feito sobre o abdômen com a bexiga cheia e proporciona uma visão mais ampla, sendo preferido em virgens, crianças ou quando o médico precisa de uma perspectiva diferente da pelve.
Quando é indicado fazer ultrassom pélvico?
As principais indicações incluem dor pélvica, cólicas intensas, sangramentos fora do padrão, suspeita de cistos ou miomas, investigação de infertilidade, acompanhamento de gestação inicial e rotina ginecológica anual.
O ultrassom pélvico transvaginal dói?
Não. A sonda é de pequeno calibre e introduzida com cuidado. A sensação é de leve pressão, sem dor na grande maioria das pacientes. Em casos de dor pélvica intensa preexistente, a técnica é adaptada para minimizar o desconforto.
Preciso de preparo para fazer ultrassom pélvico?
Para o transvaginal, a bexiga deve estar vazia — sem outro preparo especial. Para o abdominal, recomenda-se chegar com a bexiga cheia. Nenhuma das modalidades exige jejum.
O ultrassom pélvico consegue detectar endometriose?
Ele detecta endometriomas ovarianos e lesões profundas com técnicas especializadas, mas lesões superficiais do peritônio geralmente não são visíveis. Um exame sem alterações não exclui o diagnóstico de endometriose.
Em qual dia do ciclo devo fazer o ultrassom pélvico?
Para a maioria das indicações ginecológicas, o exame pode ser feito em qualquer fase do ciclo. Para avaliação endometrial, alguns médicos preferem o período pós-menstrual (entre o 5º e o 10º dia). Para monitoramento folicular, os exames seguem um protocolo específico definido pelo médico assistente.
Agende seu ultrassom pélvico em Itu/SP
A Dra. Ana Clara Campos realiza ultrassons pélvicos transvaginal e abdominal com equipamento de alta resolução, laudo detalhado e atendimento realizado pela própria especialista. A clínica fica localizada em Itu/SP, com facilidade de acesso para pacientes de toda a região.
Entre em contato pelo WhatsApp: (11) 91235-4747 e agende seu exame.

