Dra. Ana Clara Campos

Ultrassom Transvaginal: o que é, como funciona e quando fazer

Publicado 17 de junho de 2026 Dra Ana Clara Campos
Exames e Procedimentos
Ultrassom Transvaginal: o que é, como funciona e quando fazer

O ultrassom transvaginal é um dos exames mais solicitados na ginecologia — e também um dos mais cercados de dúvidas. Muitas mulheres chegam ao consultório sem saber exatamente o que esperar: como o exame é feito, se dói, por que o médico pediu transvaginal em vez de abdominal, ou o que ele consegue avaliar.

Neste artigo, a Dra. Ana Clara Campos explica tudo o que você precisa saber sobre o ultrassom transvaginal: indicações, técnica, o que o exame avalia e quando ele é indispensável para a saúde da mulher.

O que é o ultrassom transvaginal?

O ultrassom transvaginal é uma modalidade de ultrassom pélvico em que o transdutor — um instrumento fino, revestido com preservativo estéril e gel condutor — é introduzido suavemente na vagina para avaliar os órgãos pélvicos femininos.

Por estar mais próximo das estruturas avaliadas, o transdutor transvaginal oferece imagens com resolução muito superior às obtidas pelo ultrassom abdominal convencional. Isso permite identificar com precisão alterações no útero, nos ovários e nas trompas que, em muitos casos, passariam despercebidas por via abdominal.

Ultrassom transvaginal x ultrassom abdominal: qual a diferença?

Essa é uma das perguntas mais frequentes. As duas modalidades avaliam os mesmos órgãos pélvicos, mas por caminhos diferentes — e com resultados distintos em termos de qualidade de imagem.

Característica Ultrassom Transvaginal Ultrassom Abdominal
Via de acesso Intravaginal Pela parede abdominal
Qualidade de imagem Alta resolução, mais detalhada Menor resolução para órgãos pélvicos
Preparo necessário Bexiga vazia Bexiga cheia (ingestão de água)
Indicação principal Investigação ginecológica detalhada Gestação, avaliação geral do abdome
Visualização do endométrio Excelente Limitada
Visualização de folículos ovarianos Excelente Limitada
Detecção de miomas pequenos Alta sensibilidade Menor sensibilidade

Em muitas situações, o médico pode solicitar os dois tipos de exame juntos — o abdominal para uma visão panorâmica e o transvaginal para detalhes que só ele consegue mostrar.

Para que serve o ultrassom transvaginal?

O ultrassom transvaginal é utilizado para investigar, monitorar e acompanhar uma grande variedade de condições ginecológicas e obstétricas. Entre as principais indicações estão:

  • Investigação de dor pélvica — cólicas intensas, dor durante a relação sexual ou dor fora do período menstrual
  • Irregularidade menstrual — ciclos muito curtos, muito longos, ausência de menstruação ou sangramentos fora do padrão
  • Suspeita de endometriose — o transvaginal é a principal ferramenta de imagem para detectar endometriomas e lesões profundas
  • Investigação de síndrome dos ovários policísticos (SOP) — avaliação do volume ovariano e contagem de folículos antrais
  • Suspeita de mioma uterino — localização, número e tamanho dos nódulos
  • Sangramento pós-menopausa — avaliação do endométrio para excluir alterações
  • Acompanhamento de gestação no 1º trimestre — especialmente nas primeiras semanas, quando o embrião ainda é pequeno demais para o abdominal
  • Monitoramento da ovulação — acompanhamento do crescimento folicular em mulheres que tentam engravidar
  • Avaliação do colo uterino — especialmente durante a gestação, para detectar incompetência istmocervical
  • Investigação de infertilidade — avaliação da reserva ovariana, da morfologia uterina e de possíveis causas anatômicas

Como é feito o exame? Passo a passo

Conhecer o passo a passo do exame ajuda a reduzir a ansiedade e torna a experiência mais tranquila. Veja como o ultrassom transvaginal é realizado:

  1. Posicionamento — a paciente deita em posição ginecológica (semelhante à do exame de papanicolau), com os joelhos flexionados e levemente afastados
  2. Preparo do transdutor — o transdutor é recoberto com um preservativo estéril e lubrificado com gel
  3. Introdução — o transdutor é inserido suavemente na vagina. O diâmetro é pequeno e semelhante ao de um absorvente interno
  4. Avaliação — a especialista movimenta o transdutor levemente para visualizar o útero (em diferentes planos), o endométrio, os ovários e, quando necessário, as trompas
  5. Duração — o exame costuma durar entre 10 e 20 minutos, dependendo do que precisa ser avaliado
  6. Conclusão — após o exame, é emitido um laudo detalhado com os achados e as medidas de cada estrutura avaliada

O ultrassom transvaginal dói?

Na grande maioria dos casos, o exame não causa dor — apenas uma leve sensação de pressão, que tende a desaparecer rapidamente. Mulheres com dor pélvica crônica, endometriose, vaginismo ou outras condições que afetam a sensibilidade da região podem sentir um desconforto maior durante a introdução do transdutor.

Se você tem histórico de dor durante exames ginecológicos, informe a especialista antes de começar. Isso permite que o exame seja conduzido com mais cuidado e atenção ao seu conforto.

Precisa de preparo para fazer o exame?

Ao contrário do ultrassom abdominal, o transvaginal não exige bexiga cheia. O ideal, na verdade, é chegar com a bexiga vazia ou semi-vazia, pois isso facilita a visualização dos órgãos pélvicos e torna o exame mais confortável.

Outros pontos de atenção:

  • O exame pode ser feito em qualquer fase do ciclo menstrual, inclusive durante a menstruação — embora, em alguns casos, o médico possa preferir uma fase específica (como nos primeiros dias do ciclo para investigar SOP)
  • Não é necessário depilar-se ou fazer qualquer higiene especial além da habitual
  • Mulheres que ainda não tiveram relações sexuais podem comunicar a especialista: em alguns casos, o exame abdominal pode ser suficiente, ou a avaliação é feita por via retal

O que o ultrassom transvaginal consegue avaliar?

O exame permite visualizar com alta definição as principais estruturas da pelve feminina:

Útero

Forma, tamanho, posição (ante ou retrovertido), espessura e textura do miométrio (parede muscular). O transvaginal é capaz de identificar miomas, adenomiose e malformações uterinas com muito mais precisão que o abdominal.

Endométrio

A camada interna do útero é avaliada em espessura e textura. O padrão varia conforme a fase do ciclo menstrual. Espessamentos fora do esperado, irregularidades ou acúmulo de líquido na cavidade uterina são achados que podem indicar pólipos, hiperplasia ou, em mulheres na pós-menopausa, outras condições que requerem investigação.

Ovários

Volume, morfologia e presença de cistos, folículos ou outras lesões. O transvaginal permite a contagem precisa dos folículos antrais — fundamental tanto para o diagnóstico da SOP quanto para a avaliação da reserva ovariana em mulheres que investigam infertilidade.

Trompas

Em condições normais, as trompas não são visíveis ao ultrassom. Quando o exame as identifica, geralmente significa que há alguma alteração — como hidrossalpinge (trompa dilatada por líquido) ou processo inflamatório.

Espaço de Douglas

Região localizada entre o útero e o reto. A presença de líquido nesse espaço pode indicar sangramento, rotura de cisto ou processo inflamatório pélvico.

Ultrassom transvaginal e endometriose

A endometriose é uma das condições em que o ultrassom transvaginal tem papel mais relevante. Embora o exame não consiga identificar lesões superficiais (peritoneais), ele é a principal ferramenta de imagem para detectar:

  • Endometriomas ovarianos — os chamados "cistos de chocolate", com padrão ultrassonográfico característico
  • Endometriose profunda — lesões nos ligamentos uterossacrais, septo retovaginal, bexiga e intestino

Um exame bem realizado por especialista experiente pode mapear a extensão da doença com precisão suficiente para orientar o tratamento cirúrgico. Para saber mais sobre essa condição, leia: O que é endometriose e por que o diagnóstico demora tanto.

Ultrassom transvaginal na gestação

Na gestação, o ultrassom transvaginal é especialmente útil no primeiro trimestre, quando o embrião ainda é muito pequeno para ser visualizado com clareza pelo abdominal. Ele é utilizado para:

  • Confirmar a localização da gestação (intrauterina ou ectópica)
  • Detectar batimentos cardíacos fetais precocemente
  • Medir o embrião (CRL — comprimento cabeça-nádega) para confirmar a idade gestacional
  • Avaliar o colo uterino ao longo da gestação
  • Realizar parte da avaliação do morfológico do 1º trimestre, quando necessário

A partir do segundo trimestre, o abdominal passa a ser a via preferencial, mas o transvaginal pode ser solicitado para avaliações específicas, como o comprimento do colo uterino.

Perguntas frequentes sobre ultrassom transvaginal

O ultrassom transvaginal pode ser feito durante a menstruação?

Sim. O exame pode ser realizado durante a menstruação sem problemas. Em algumas situações — como na investigação da SOP — o médico pode até preferir que o exame seja feito nos primeiros dias do ciclo. Converse com a especialista sobre o melhor momento no seu caso.

Mulheres virgens podem fazer ultrassom transvaginal?

Mulheres que não tiveram relações sexuais devem informar a especialista antes do exame. Em muitos casos, o ultrassom abdominal é suficiente para a avaliação. Quando o transvaginal for indispensável, a especialista pode discutir alternativas, como a via transretal, sempre com o consentimento da paciente.

Com que frequência devo fazer o ultrassom pélvico?

Não há uma frequência universal. A periodicidade depende da indicação clínica. Mulheres sem sintomas podem fazer o exame como parte do check-up ginecológico anual. Mulheres com condições como endometriose, SOP ou miomas costumam precisar de acompanhamento mais frequente, conforme orientação médica.

O ultrassom transvaginal substitui o papanicolau?

Não. São exames diferentes, com finalidades distintas. O papanicolau avalia células do colo uterino para rastreamento de câncer cervical. O ultrassom transvaginal avalia a morfologia dos órgãos pélvicos. Os dois são complementares e fazem parte do cuidado ginecológico preventivo.

O que significa ter líquido livre na pelve ao ultrassom?

Uma pequena quantidade de líquido livre na pelve, especialmente na região do espaço de Douglas, pode ser normal em determinadas fases do ciclo menstrual — como logo após a ovulação. Quantidades maiores ou líquido em outras regiões podem indicar alterações que precisam de avaliação médica. Sempre discuta os achados do seu laudo com o médico que solicitou o exame.

Posso fazer o ultrassom transvaginal em qualquer fase do ciclo?

Sim, na maioria das situações. Há exceções em que a fase do ciclo influencia a interpretação — como na avaliação da SOP (prefere-se o início do ciclo) ou no monitoramento da ovulação (o exame é feito em série, em dias específicos). Para fins gerais, como investigação de dor ou sangramento, o exame pode ser realizado a qualquer momento.

O laudo do ultrassom transvaginal é emitido na hora?

Depende do serviço. Na clínica da Dra. Ana Clara Campos, o laudo é emitido com detalhamento completo após o exame, com todas as medidas e achados documentados. O tempo pode variar conforme a complexidade da avaliação.