Você sente cólicas fortes o suficiente para faltar ao trabalho? Dor durante a relação sexual? Dificuldade para engravidar sem uma explicação clara? Esses podem ser sinais de endometriose — uma doença que afeta aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva no mundo, mas que ainda é cronicamente subdiagnosticada.
Neste artigo, a Dra. Ana Clara Campos — especialista em ultrassonografia ginecológica avançada com pós-graduação na área — explica o que é a endometriose, por que o diagnóstico demora tanto e como o ultrassom especializado pode fazer a diferença.
O que é endometriose?
Endometriose é uma doença crônica e inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio — o revestimento interno do útero — cresce em locais externos ao útero. Esses focos podem se desenvolver nos ovários, nas trompas de Falópio, no peritônio, na bexiga, no intestino e até em órgãos mais distantes em casos graves.
Assim como o endométrio normal, esses focos respondem aos hormônios do ciclo menstrual: crescem, "sangram" e causam inflamação — mas sem saída. Esse ciclo repetido cria aderências, nódulos, cistos (os chamados endometriomas) e fibrose, comprometendo progressivamente a função dos órgãos afetados.
É importante entender: endometriose não é "cólica normal", não é frescura e não é algo que a mulher precisa simplesmente suportar.
Quais são os sintomas da endometriose?
Os sintomas variam muito de mulher para mulher — o que dificulta ainda mais o diagnóstico. Os mais comuns são:
Dismenorreia intensa: cólica menstrual que incapacita, não cede com analgésicos comuns e piora ao longo dos anos
Dor pélvica crônica: dor na pelve que não se limita aos dias de menstruação
Dispareunia: dor durante ou após a relação sexual, especialmente em penetrações mais profundas
Disfunção intestinal ou urinária cíclica: dor ao evacuar ou urinar, sangue nas fezes ou na urina durante a menstruação
Dificuldade para engravidar: a endometriose é responsável por 35 a 50% dos casos de infertilidade feminina
Fadiga crônica: cansaço persistente, especialmente no período menstrual
Em alguns casos, a doença é assintomática — descoberta apenas durante investigação de infertilidade ou em cirurgia por outro motivo. Isso reforça a importância do rastreamento ativo.
Por que o diagnóstico de endometriose demora tanto?
Estudos internacionais mostram que, em média, as mulheres levam entre 7 e 10 anos para receber o diagnóstico de endometriose após os primeiros sintomas. No Brasil, esse número pode ser ainda maior. Por quê?
1. A dor menstrual é normalizada
Durante décadas — e infelizmente ainda hoje em muitos contextos —, a cólica intensa foi tratada como algo "normal da mulher". Frases como "é assim mesmo", "você precisa ter filho para melhorar" ou "tome um analgésico e passa" atrasaram gerações de diagnósticos.
2. Os sintomas se sobrepõem a outras condições
Dor intestinal, dor pélvica e irregularidade menstrual também são sintomas de síndrome do intestino irritável, doença inflamatória pélvica e cistos funcionais — o que leva médicos a investigar outros caminhos antes de chegar à endometriose.
3. O ultrassom convencional pode não detectar a doença
Este é um ponto crítico: o ultrassom pélvico de rotina, realizado sem preparo específico, muitas vezes não identifica focos de endometriose — especialmente na forma infiltrante profunda, que acomete intestino, ligamentos e fundo de saco. Uma paciente pode ter um laudo "normal" e ainda assim ter endometriose significativa.
4. O diagnóstico definitivo historicamente exigia cirurgia
Por muito tempo, o "padrão ouro" para diagnóstico era a videolaparoscopia com biópsia. Isso criou uma barreira: médicos hesitavam em indicar cirurgia apenas para confirmar uma suspeita, e pacientes ficavam sem diagnóstico.
Como o ultrassom especializado muda esse cenário
A pesquisa de endometriose por ultrassom transvaginal com preparo intestinal é hoje considerada uma ferramenta de alta acurácia diagnóstica quando realizada por especialista treinado. Esse exame difere completamente do ultrassom ginecológico de rotina.
Com o preparo adequado (evacuação do intestino antes do exame), é possível avaliar:
Endometriomas ovarianos (cistos de endometriose nos ovários)
Nódulos de endometriose profunda no fundo de saco de Douglas
Acometimento do retossigmoide, ureter e bexiga
Aderências e fixação do útero (sinal do deslizamento)
Comprometimento dos ligamentos uterossacros
Na clínica da Dra. Ana Clara Campos, esse exame é realizado com equipamento de alta resolução e com orientação completa sobre o preparo intestinal antes do agendamento.
Endometriose tem tratamento?
Sim — e quanto mais cedo o diagnóstico, maior a possibilidade de controle eficaz. Atualmente, não existe cura definitiva, mas as opções de tratamento permitem que a grande maioria das mulheres recupere qualidade de vida e, quando desejado, preserve a fertilidade.
As principais abordagens são:
Tratamento hormonal: pílula anticoncepcional, DIU de progesterona, análogos de GnRH — reduzem os focos e controlam a dor
Cirurgia laparoscópica: indicada em casos moderados a graves ou quando há desejo de gravidez imediata
Acompanhamento multidisciplinar: ginecologista, endoscopista, urologista e fisioterapeuta pélvica, conforme o acometimento
O papel do ultrassom especializado vai além do diagnóstico: ele é fundamental para o estadiamento pré-operatório — ou seja, para que o cirurgião saiba exatamente o que encontrará antes de operar, planejando o procedimento com maior segurança.
Quando buscar avaliação?
Não espere a dor se tornar insuportável. Procure avaliação especializada se você apresentar qualquer combinação dos seguintes sinais:
Cólica que não cede com analgésicos convencionais
Dor durante ou após relações sexuais
Dificuldade para engravidar há mais de 12 meses (ou 6 meses se você tem mais de 35 anos)
Dor ao evacuar ou urinar durante a menstruação
Histórico familiar de endometriose
Perguntas frequentes sobre endometriose
Endometriose impede de engravidar?
Não necessariamente. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Mas a doença pode reduzir a reserva ovariana e comprometer as trompas, dificultando a concepção. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam significativamente as chances de gravidez.
Qual a diferença entre endometriose e adenomiose?
Na endometriose, o tecido cresce fora do útero. Na adenomiose, ele invade o músculo uterino (miométrio). As duas condições podem coexistir e causam sintomas parecidos — ambas são identificáveis pelo ultrassom especializado.
O ultrassom com preparo intestinal é muito desconfortável?
O preparo intestinal pode ser um pouco incômodo, mas é bem tolerado pela maioria das pacientes. O exame em si é realizado com cuidado e delicadeza, com a especialista explicando cada etapa. O desconforto é temporário e muito menor do que permanecer anos sem diagnóstico.
A endometriose volta após a cirurgia?
Sim, existe risco de recidiva. Por isso, o tratamento cirúrgico geralmente é seguido de tratamento hormonal de manutenção e acompanhamento regular com ultrassom.
A endometriose piora na menopausa?
Na menopausa natural, os níveis de estrogênio caem e a maioria das pacientes apresenta melhora dos sintomas. No entanto, em mulheres que fazem terapia hormonal pós-menopausa, os focos podem continuar ativos. O acompanhamento médico é essencial.
Se você suspeita de endometriose ou precisa de uma segunda opinião, agende sua pesquisa de endometriose com a Dra. Ana Clara Campos em Itu/SP. Fale pelo WhatsApp: (11) 91235-4747.

