Dra. Ana Clara Campos

O que é endometriose e por que o diagnóstico demora tanto

Publicado 15 de maio de 2026 Dra Ana Clara Campos
Endometriose
O que é endometriose e por que o diagnóstico demora tanto

Você sente cólicas fortes o suficiente para faltar ao trabalho? Dor durante a relação sexual? Dificuldade para engravidar sem uma explicação clara? Esses podem ser sinais de endometriose — uma doença que afeta aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva no mundo, mas que ainda é cronicamente subdiagnosticada.

Neste artigo, a Dra. Ana Clara Campos — especialista em ultrassonografia ginecológica avançada com pós-graduação na área — explica o que é a endometriose, por que o diagnóstico demora tanto e como o ultrassom especializado pode fazer a diferença.

O que é endometriose?

Endometriose é uma doença crônica e inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio — o revestimento interno do útero — cresce em locais externos ao útero. Esses focos podem se desenvolver nos ovários, nas trompas de Falópio, no peritônio, na bexiga, no intestino e até em órgãos mais distantes em casos graves.

Assim como o endométrio normal, esses focos respondem aos hormônios do ciclo menstrual: crescem, "sangram" e causam inflamação — mas sem saída. Esse ciclo repetido cria aderências, nódulos, cistos (os chamados endometriomas) e fibrose, comprometendo progressivamente a função dos órgãos afetados.

É importante entender: endometriose não é "cólica normal", não é frescura e não é algo que a mulher precisa simplesmente suportar.

Quais são os sintomas da endometriose?

Os sintomas variam muito de mulher para mulher — o que dificulta ainda mais o diagnóstico. Os mais comuns são:

  • Dismenorreia intensa: cólica menstrual que incapacita, não cede com analgésicos comuns e piora ao longo dos anos

  • Dor pélvica crônica: dor na pelve que não se limita aos dias de menstruação

  • Dispareunia: dor durante ou após a relação sexual, especialmente em penetrações mais profundas

  • Disfunção intestinal ou urinária cíclica: dor ao evacuar ou urinar, sangue nas fezes ou na urina durante a menstruação

  • Dificuldade para engravidar: a endometriose é responsável por 35 a 50% dos casos de infertilidade feminina

  • Fadiga crônica: cansaço persistente, especialmente no período menstrual

Em alguns casos, a doença é assintomática — descoberta apenas durante investigação de infertilidade ou em cirurgia por outro motivo. Isso reforça a importância do rastreamento ativo.

Por que o diagnóstico de endometriose demora tanto?

Estudos internacionais mostram que, em média, as mulheres levam entre 7 e 10 anos para receber o diagnóstico de endometriose após os primeiros sintomas. No Brasil, esse número pode ser ainda maior. Por quê?

1. A dor menstrual é normalizada

Durante décadas — e infelizmente ainda hoje em muitos contextos —, a cólica intensa foi tratada como algo "normal da mulher". Frases como "é assim mesmo", "você precisa ter filho para melhorar" ou "tome um analgésico e passa" atrasaram gerações de diagnósticos.

2. Os sintomas se sobrepõem a outras condições

Dor intestinal, dor pélvica e irregularidade menstrual também são sintomas de síndrome do intestino irritável, doença inflamatória pélvica e cistos funcionais — o que leva médicos a investigar outros caminhos antes de chegar à endometriose.

3. O ultrassom convencional pode não detectar a doença

Este é um ponto crítico: o ultrassom pélvico de rotina, realizado sem preparo específico, muitas vezes não identifica focos de endometriose — especialmente na forma infiltrante profunda, que acomete intestino, ligamentos e fundo de saco. Uma paciente pode ter um laudo "normal" e ainda assim ter endometriose significativa.

4. O diagnóstico definitivo historicamente exigia cirurgia

Por muito tempo, o "padrão ouro" para diagnóstico era a videolaparoscopia com biópsia. Isso criou uma barreira: médicos hesitavam em indicar cirurgia apenas para confirmar uma suspeita, e pacientes ficavam sem diagnóstico.

Como o ultrassom especializado muda esse cenário

A pesquisa de endometriose por ultrassom transvaginal com preparo intestinal é hoje considerada uma ferramenta de alta acurácia diagnóstica quando realizada por especialista treinado. Esse exame difere completamente do ultrassom ginecológico de rotina.

Com o preparo adequado (evacuação do intestino antes do exame), é possível avaliar:

  • Endometriomas ovarianos (cistos de endometriose nos ovários)

  • Nódulos de endometriose profunda no fundo de saco de Douglas

  • Acometimento do retossigmoide, ureter e bexiga

  • Aderências e fixação do útero (sinal do deslizamento)

  • Comprometimento dos ligamentos uterossacros

Na clínica da Dra. Ana Clara Campos, esse exame é realizado com equipamento de alta resolução e com orientação completa sobre o preparo intestinal antes do agendamento.

Endometriose tem tratamento?

Sim — e quanto mais cedo o diagnóstico, maior a possibilidade de controle eficaz. Atualmente, não existe cura definitiva, mas as opções de tratamento permitem que a grande maioria das mulheres recupere qualidade de vida e, quando desejado, preserve a fertilidade.

As principais abordagens são:

  • Tratamento hormonal: pílula anticoncepcional, DIU de progesterona, análogos de GnRH — reduzem os focos e controlam a dor

  • Cirurgia laparoscópica: indicada em casos moderados a graves ou quando há desejo de gravidez imediata

  • Acompanhamento multidisciplinar: ginecologista, endoscopista, urologista e fisioterapeuta pélvica, conforme o acometimento

O papel do ultrassom especializado vai além do diagnóstico: ele é fundamental para o estadiamento pré-operatório — ou seja, para que o cirurgião saiba exatamente o que encontrará antes de operar, planejando o procedimento com maior segurança.

Quando buscar avaliação?

Não espere a dor se tornar insuportável. Procure avaliação especializada se você apresentar qualquer combinação dos seguintes sinais:

  • Cólica que não cede com analgésicos convencionais

  • Dor durante ou após relações sexuais

  • Dificuldade para engravidar há mais de 12 meses (ou 6 meses se você tem mais de 35 anos)

  • Dor ao evacuar ou urinar durante a menstruação

  • Histórico familiar de endometriose

Perguntas frequentes sobre endometriose

Endometriose impede de engravidar?

Não necessariamente. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Mas a doença pode reduzir a reserva ovariana e comprometer as trompas, dificultando a concepção. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam significativamente as chances de gravidez.

Qual a diferença entre endometriose e adenomiose?

Na endometriose, o tecido cresce fora do útero. Na adenomiose, ele invade o músculo uterino (miométrio). As duas condições podem coexistir e causam sintomas parecidos — ambas são identificáveis pelo ultrassom especializado.

O ultrassom com preparo intestinal é muito desconfortável?

O preparo intestinal pode ser um pouco incômodo, mas é bem tolerado pela maioria das pacientes. O exame em si é realizado com cuidado e delicadeza, com a especialista explicando cada etapa. O desconforto é temporário e muito menor do que permanecer anos sem diagnóstico.

A endometriose volta após a cirurgia?

Sim, existe risco de recidiva. Por isso, o tratamento cirúrgico geralmente é seguido de tratamento hormonal de manutenção e acompanhamento regular com ultrassom.

A endometriose piora na menopausa?

Na menopausa natural, os níveis de estrogênio caem e a maioria das pacientes apresenta melhora dos sintomas. No entanto, em mulheres que fazem terapia hormonal pós-menopausa, os focos podem continuar ativos. O acompanhamento médico é essencial.

Se você suspeita de endometriose ou precisa de uma segunda opinião, agende sua pesquisa de endometriose com a Dra. Ana Clara Campos em Itu/SP. Fale pelo WhatsApp: (11) 91235-4747.