Você fez a mamografia e o laudo trouxe a frase "mamas densas, sugere-se complementação com ultrassonografia"? Ou sentiu um carocinho no autoexame, tem menos de 35 anos e o ginecologista pediu um ultrassom em vez de mamografia? Situações assim geram uma dúvida muito comum, ainda mais no Outubro Rosa: afinal, o ultrassom de mamas substitui a mamografia, ou são exames diferentes?
Neste artigo, a Dra. Ana Clara Campos, especialista em ultrassonografia em Itu/SP, explica o que é o ultrassom de mamas e axilas, em quais situações ele é indicado, o que ele mostra melhor e pior que a mamografia e como interpretar termos do laudo como "densidade mamária" e "BI-RADS".
Resumo rápido: o ultrassom de mamas não substitui a mamografia no rastreamento do câncer de mama. Os dois exames se complementam. A mamografia é o exame de rastreamento padrão a partir dos 40 anos e é a melhor para detectar microcalcificações. O ultrassom é o exame de primeira escolha para avaliar nódulos palpáveis em mulheres jovens, gestantes e lactantes, diferencia cisto de nódulo sólido e pode complementar a mamografia em mamas densas. Quem define qual exame fazer, e com que frequência, é o ginecologista ou o mastologista.
O que é o ultrassom de mamas e axilas?
O ultrassom de mamas (ou ultrassonografia mamária) é um exame de imagem que usa ondas sonoras de alta frequência para formar imagens em tempo real do tecido mamário. Ele não utiliza radiação ionizante, não comprime as mamas e não exige jejum.
Durante o exame, a especialista avalia as duas mamas de forma sistemática e também as axilas, onde ficam os linfonodos (gânglios) que drenam a região. Por isso, o nome completo do exame costuma ser "ultrassom de mamas e axilas". O resultado é descrito segundo o sistema BI-RADS, uma padronização internacional criada pelo Colégio Americano de Radiologia e adotada no Brasil pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).
Ultrassom de mamas substitui a mamografia?
Não. A mamografia é o único exame de imagem que comprovadamente reduz a mortalidade por câncer de mama quando usado no rastreamento de mulheres sem sintomas. O ultrassom é um exame complementar: ele responde perguntas que a mamografia, sozinha, às vezes não consegue responder, e o contrário também acontece.
A principal diferença está no que cada método enxerga melhor. A mamografia é muito sensível às microcalcificações, pequenos depósitos de cálcio que podem ser o primeiro sinal de alguns tumores iniciais e que o ultrassom raramente identifica. Já o ultrassom se destaca em mamas densas, em que o tecido glandular aparece branco na mamografia e pode esconder nódulos, e na diferenciação entre cisto (com líquido) e nódulo sólido.
| Característica | Mamografia | Ultrassom de mamas |
|---|---|---|
| Princípio | Raios X de baixa dose | Ondas sonoras (sem radiação) |
| Papel principal | Rastreamento em mulheres sem sintomas | Investigação de achados e complemento da mamografia |
| Microcalcificações | Excelente detecção | Detecção limitada |
| Mamas densas | Sensibilidade reduzida | Boa capacidade de identificar nódulos |
| Cisto x nódulo sólido | Não diferencia com segurança | Diferencia com alta precisão |
| Avaliação das axilas | Parcial | Completa, com análise dos linfonodos |
| Gestação e amamentação | Uso restrito a situações específicas | Exame de primeira escolha |
| Desconforto | Compressão das mamas | Em geral, nenhum |
| Dependência do operador | Menor | Maior: a experiência de quem examina faz diferença |
Quando o ultrassom de mamas é indicado?
O ultrassom de mamas é indicado principalmente para investigar uma alteração (um nódulo, uma dor localizada, uma secreção) ou para complementar uma mamografia. As situações mais comuns são as seguintes.
1. Nódulo palpável ou alteração no autoexame
Quando a mulher ou o médico percebe um nódulo, um espessamento ou uma área diferente na mama, o ultrassom permite ver exatamente o que existe naquele ponto: se é um cisto simples, um nódulo sólido com características benignas (como o fibroadenoma) ou uma lesão que merece investigação adicional. Em mulheres com 40 anos ou mais, o médico costuma solicitar também a mamografia.
2. Mulheres jovens
Abaixo dos 30 anos, as mamas costumam ser mais densas e o risco de câncer é baixo, o que reduz o benefício da mamografia e aumenta o peso da radiação. Por isso, nessa faixa etária, o ultrassom é o exame inicial para investigar queixas mamárias. Entre os 30 e os 39 anos, a escolha entre ultrassom, mamografia ou os dois depende do caso e é feita pelo médico assistente.
3. Gestação e amamentação
Durante a gravidez e a lactação, as mamas mudam muito: ficam maiores, mais densas e mais sensíveis. Nódulos, áreas endurecidas, mastite e abscessos são investigados primeiro pelo ultrassom, que é seguro para a mãe e para o bebê. Uma regra importante: nódulo que surge na gestação ou na amamentação não deve ser simplesmente atribuído aos hormônios sem avaliação por imagem.
4. Mamas densas na mamografia
Quando a mamografia classifica as mamas como heterogeneamente densas ou extremamente densas, o médico pode considerar o ultrassom como exame complementar. Nessas mamas, o ultrassom pode identificar alguns tumores que a mamografia não mostrou, mas também aumenta a chance de achados que precisam de controle ou biópsia e acabam se revelando benignos. Por isso, essa complementação é uma decisão individualizada.
5. Achado da mamografia que precisa ser esclarecido
Uma assimetria, um nódulo ou uma área de distorção vista na mamografia muitas vezes precisa de uma avaliação "direcionada" com ultrassom. Um laudo de mamografia BI-RADS 0, por exemplo, significa que o estudo está incompleto e que exames adicionais, frequentemente o ultrassom, são necessários para concluir a avaliação.
6. Dor localizada, secreção ou sinais inflamatórios
A dor mamária difusa e cíclica, ligada à menstruação, raramente indica doença grave. Já a dor localizada e persistente, a secreção pelo mamilo (especialmente quando sai sozinha, de um só ducto, ou com sangue), a vermelhidão e o calor local merecem avaliação. O ultrassom ajuda a identificar ductos dilatados, lesões dentro dos ductos, abscessos e outras causas.
7. Próteses mamárias
O ultrassom avalia o tecido mamário ao redor dos implantes e pode mostrar sinais de ruptura, alterações da cápsula e acúmulo de líquido. Em casos específicos, o médico pode complementar com ressonância magnética, que é o método de referência para avaliar a integridade dos implantes.
8. Acompanhamento de achados provavelmente benignos
Nódulos classificados como BI-RADS 3 (provavelmente benignos) costumam ser acompanhados com exames em intervalo curto para confirmar a estabilidade. O ultrassom é o método ideal para esse seguimento quando o achado foi visto nele, e repetir o exame no mesmo serviço, levando os laudos anteriores, torna a comparação mais precisa.
9. Orientação de procedimentos
Quando um nódulo precisa de punção ou biópsia, o ultrassom é o método mais usado para guiar a agulha em tempo real até o ponto exato, com mais conforto e precisão para a paciente.
Homens também fazem ultrassom de mamas. O exame é usado para avaliar aumento das mamas (ginecomastia), nódulos e dor. Embora raro, o câncer de mama masculino existe e qualquer nódulo persistente deve ser avaliado.
Densidade mamária: por que ela muda a conversa
A densidade mamária descreve a proporção de tecido glandular e fibroso em relação à gordura. Ela é informada no laudo da mamografia em quatro categorias e importa por dois motivos: mamas densas reduzem a capacidade da mamografia de mostrar nódulos (o tecido denso e o nódulo aparecem brancos na imagem) e a densidade elevada, por si só, é considerada um fator de risco moderado para câncer de mama.
| Categoria | Descrição | Impacto na mamografia |
|---|---|---|
| A | Mamas quase totalmente gordurosas | Alta sensibilidade |
| B | Áreas esparsas de tecido fibroglandular | Boa sensibilidade |
| C | Mamas heterogeneamente densas | Pequenos nódulos podem ficar ocultos |
| D | Mamas extremamente densas | Sensibilidade bastante reduzida |
Mamas densas são muito comuns, principalmente antes da menopausa, e não são uma doença. A informação serve para que o médico avalie, junto com o histórico pessoal e familiar, se vale a pena associar outro exame à mamografia.
Rastreamento do câncer de mama: o que dizem as recomendações no Brasil
O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Quanto mais cedo é encontrado, maiores as chances de tratamento eficaz e menos agressivo.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes de rastreamento no SUS. Mulheres de 50 a 74 anos passaram a ser convidadas para mamografia a cada dois anos (antes, o limite era 69 anos), e mulheres de 40 a 49 anos passaram a ter acesso garantido ao exame mesmo sem sintomas, em decisão compartilhada com o profissional de saúde. As sociedades médicas, como o Colégio Brasileiro de Radiologia, a Sociedade Brasileira de Mastologia e a Febrasgo, recomendam mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual.
| Perfil | Exame central | Onde entra o ultrassom |
|---|---|---|
| Mulher abaixo de 40 anos, sem queixas e sem risco aumentado | Não há rastreamento com imagem de rotina | Indicado se houver nódulo, dor localizada, secreção ou outra queixa |
| Mulher a partir de 40 anos, risco habitual | Mamografia (periodicidade definida pelo médico) | Complementar em mamas densas, achados da mamografia ou queixas |
| Mulher com risco elevado (mutações genéticas, radioterapia no tórax na juventude, histórico familiar importante) | Rastreamento intensificado, que pode incluir ressonância magnética e início mais precoce | Pode ser associado ou usado como alternativa quando a ressonância não for possível |
| Gestante ou lactante com queixa mamária | Ultrassom | Exame de primeira escolha |
A definição do risco de cada mulher e do esquema de exames (quais, a partir de quando e com que frequência) é feita pelo ginecologista ou pelo mastologista. O papel do exame de imagem é fornecer informações precisas para essa decisão.
Como ler o laudo: as categorias BI-RADS
Tanto a mamografia quanto o ultrassom de mamas terminam o laudo com uma categoria BI-RADS, que resume o grau de suspeita dos achados e orienta o próximo passo. Conhecer essa escala ajuda a entender o resultado, mas a conduta é sempre discutida com o médico que solicitou o exame.
| Categoria | Significado | Conduta habitualmente associada |
|---|---|---|
| BI-RADS 0 | Avaliação incompleta | Exames adicionais ou comparação com exames anteriores |
| BI-RADS 1 | Exame negativo, sem achados | Seguir o rastreamento de rotina |
| BI-RADS 2 | Achado benigno (ex.: cisto simples, linfonodo intramamário) | Seguir o rastreamento de rotina |
| BI-RADS 3 | Achado provavelmente benigno (chance de malignidade de até 2%) | Controle em intervalo curto, geralmente em torno de 6 meses |
| BI-RADS 4 (4A, 4B, 4C) | Achado suspeito, com probabilidade crescente de malignidade | Biópsia geralmente indicada |
| BI-RADS 5 | Altamente sugestivo de malignidade (95% ou mais) | Biópsia e encaminhamento |
| BI-RADS 6 | Câncer já confirmado por biópsia | Planejamento do tratamento |
Vale lembrar: a grande maioria dos nódulos encontrados no ultrassom de mamas é benigna. Cistos e fibroadenomas são achados extremamente comuns, especialmente em mulheres jovens.
O que o ultrassom mostra bem e quais são os limites
Para usar o ultrassom de mamas da forma certa, é importante conhecer seus pontos fortes e suas limitações.
O que o ultrassom mostra bem: diferencia com segurança cisto de nódulo sólido; descreve forma, contornos, orientação e vascularização dos nódulos (com o Doppler); avalia os linfonodos das axilas; examina mamas densas, mamas na gestação e na amamentação e o tecido ao redor de próteses.
Quais são os limites: identifica mal as microcalcificações, que podem ser o único sinal de alguns tumores iniciais; tem resultado mais dependente da experiência de quem examina e da qualidade do equipamento; e, quando usado isoladamente no rastreamento, gera mais achados que precisam de controle. É por isso que ele complementa a mamografia, e não a substitui.
Como é feito o ultrassom de mamas e como se preparar
O exame é simples e rápido. A paciente fica deitada, com os braços elevados atrás da cabeça, e a especialista desliza o transdutor com gel sobre cada mama e cada axila, examinando todos os quadrantes. Em geral, não há dor. Se houver um ponto sensível ou um nódulo palpável, é importante avisar para que a região seja avaliada com atenção especial.
- Jejum: não é necessário.
- Roupas: prefira peças de duas partes (blusa e calça ou saia), que facilitam o exame.
- Fase do ciclo: em mulheres que menstruam, alguns médicos preferem a primeira metade do ciclo, quando as mamas estão menos inchadas e sensíveis. Se houver uma queixa, como nódulo ou secreção, o exame não deve ser adiado por causa do ciclo.
- Exames anteriores: leve mamografias, ultrassons e ressonâncias que já fez, com laudos. A comparação é uma das informações mais valiosas da avaliação.
- Informações clínicas: conte sobre cirurgias nas mamas, próteses, biópsias prévias, uso de hormônios, gestação ou amamentação e histórico familiar de câncer de mama ou de ovário.
Ultrassom de mamas e axilas em Itu/SP
Na clínica da Dra. Ana Clara Campos, em Itu/SP, o ultrassom de mamas e axilas é realizado pela própria especialista, com equipamento de alta resolução e transdutor de alta frequência. O laudo segue a classificação BI-RADS e descreve de forma organizada cada achado relevante, com localização, medidas e características, para que o ginecologista ou o mastologista tenha todas as informações necessárias. Veja a lista completa de exames disponíveis na página de serviços.
Se você também faz acompanhamento ginecológico de rotina por imagem, conheça os exames da ultrassonografia ginecológica realizados na clínica.
Perguntas frequentes sobre ultrassom de mamas
O ultrassom de mamas substitui a mamografia?
Não. A mamografia continua sendo o exame de rastreamento do câncer de mama em mulheres a partir dos 40 anos, porque é a melhor para identificar microcalcificações. O ultrassom é um exame complementar, indicado para investigar queixas, esclarecer achados da mamografia e avaliar mamas densas, entre outras situações.
A partir de que idade posso fazer ultrassom de mamas?
Não existe idade mínima. O ultrassom pode ser feito em qualquer idade quando há uma indicação, como nódulo palpável, dor localizada ou secreção. Abaixo dos 30 anos, ele é o exame inicial para investigar queixas mamárias. A indicação de exames de rotina depende da avaliação do ginecologista ou do mastologista.
Tenho mamas densas. Preciso fazer ultrassom além da mamografia?
Pode ser indicado. Nas mamas heterogeneamente densas ou extremamente densas, o ultrassom pode identificar nódulos que a mamografia não mostrou. Como também aumenta a chance de achados que precisam de controle, a decisão é individualizada e leva em conta o histórico pessoal e familiar. Converse com o seu médico.
O ultrassom de mamas precisa de preparo?
Não é preciso jejum nem preparo especial. Recomenda-se usar roupa de duas partes e levar os exames anteriores das mamas. Em mulheres que menstruam, alguns médicos preferem a primeira metade do ciclo, mas quem tem uma queixa não deve adiar o exame por esse motivo.
Grávidas e lactantes podem fazer ultrassom de mamas?
Sim. O ultrassom não usa radiação e é o exame de primeira escolha para avaliar nódulos, dor, mastite e abscesso durante a gestação e a amamentação. Qualquer nódulo que surja nesse período deve ser avaliado, e não apenas atribuído às mudanças hormonais.
O que significa BI-RADS 3 no ultrassom de mamas?
BI-RADS 3 indica um achado provavelmente benigno, com chance de malignidade de até 2%. A conduta habitual é repetir o exame em intervalo curto, geralmente em torno de seis meses, para confirmar que o achado está estável. O plano de acompanhamento é definido pelo médico assistente.
Se o ultrassom mostrou um nódulo, é câncer?
Na grande maioria das vezes, não. Cistos e fibroadenomas são os achados mais comuns no ultrassom de mamas e são benignos. As características do nódulo, resumidas na categoria BI-RADS do laudo, indicam se ele pode apenas ser acompanhado ou se precisa de biópsia. Essa decisão é tomada pelo ginecologista ou pelo mastologista.
Precisa fazer um ultrassom de mamas e axilas ou complementar a sua mamografia? Agende seu exame com a Dra. Ana Clara Campos em Itu/SP. Fale pelo WhatsApp: (11) 91235-4747.

